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quinta-feira, 1 de setembro de 2016




“Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve” – Uma metáfora sofre o naufrágio de alguns internautas

Há mais de um século o francês Júlio Verne publicou uma de suas mais encantadoras e assustadoras obras, Vinte Mil Léguas Submarinas. Na época do lançamento, 1870, a maior parte das pessoas que tinham acesso a livros dominava minimamente o latim, seja por ser disciplina constante do currículo escolar em muitos países, seja por interesses específicos. Por isso, não ficou estranho que o romancista tenha chamado de Nemo ao enigmático capitão do Nautilus. No correr das últimas décadas, porém, o latim, que há alguns séculos perdera seus falantes, perdeu a maior parcela dos seus conhecedores e, por consequência, no Capitão Ninguém (traduzindo para o português) desfez-se parte da aura misteriosa.

Restou, no entanto, para além do literário dessa precursora obra de ficção científica, um caráter premonitório: a possibilidade de as pessoas se extraviarem nas novas incógnitas abissais, embarcando, agora, não mais no Nautilus, mas, isso, em um computador, conduzidas, mais uma vez, por Ninguém.

Ora, cada dia fala-se, mais e mais, sobre a triunfal entrada da humanidade na Era do Conhecimento; exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a principal riqueza. Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas seria a internet.

Devagar com isso! Não se deve confundir informação com conhecimento. A internet, dentre as muitas mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso á informação; no entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento (ao contrário da firmação), não é cumulativo, mas seletivo. 

É como alguém que entra numa livraria (ou em uma bienal do livro) sem saber muito bem o que deseja (mesmo um simples passear): corre o risco de ficar em pânico e com uma sensação de débito intelectual, sem ter clareza de por onde começar, imaginando que precisa ler tudo aquilo. É fundamental ter critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha.

Os computadores e a internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido; ferramenta não é objetivo em si mesmo, é instrumento para outra coisa. Por isso, há um ditado atribuído aos chineses no qual se diz: “Quando você aponta a lua, bela e brilhante, o tolo olha atentamente a ponta do teu dedo”.

O instigante Lewis Carol, na sua imortal Alice no país das maravilhas, a ser lida e relida, tem dois personagens bem expressivos para entendermos os tempos atuais: um coelho (como nós) sempre correndo, sempre olhando o relógio e sempre reclamando: “estou atrasado, estou atrasado”; e um insondável gato que, no alto de uma árvore, tem um corpo que aparece e desaparece, às vezes ficando só a cauda. Às vezes só o sorriso. Há uma cena (adaptada aqui livremente) na qual Alice, desorientada, vê o gato na árvore e pergunta: “Para onde vai esta estrada? O gato replica: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei, estou perdida. O gato não titubeia: Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve…

Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo. É por isso que a maior parte dessas pessoas, em vez de navegar na internet, naufraga…

Publicado originalmente com o título “O Naufrágio de muitos Internautas” de Mario Sergio Cortella – extraído do livro Não Nascemos Prontos, Editora Vozes, 18ª Edição, Páginas 23 a 26.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resumo de Filosofia

  Introdução à Filosofia
*O Começo do Pensamento
-A coruja é o símbolo da Filosofia, seus olhos inspiram os olhos do pensamento que não se limitam ao que se pode ser visto a olho nu, ele enxerga o abstrato. O olho do nosso pensamento nos permite ser curiosos, indagar e assim Descobrir. “Uma vida sem investigação não é digna de ser vivida”.
*O Que é Filosofia
-PhiloAmizade; AmorSophiaSabedoria, ou seja, amor pela sabedoria
-O proceder filosófico constitui num exercício crítico de reflexão e análise da realidade que nos cerca, a Filosofia busca explicações racionais, claras e distintas.
-Explicação Racional – Logos: Fundamentada na coerência dos argumentos em que se baseia; Não se justifica a partir de forças sobrenaturais; os argumentos em que se baseia devem ser submetidos à crítica.
 Mito e Filosofia
*Do Mito à Filosofia
-O mito é umas das primeiras formas de interpretação do mundo, o mito costumava a explicar as coisas; Mito e Ciência são instrumentos intelectuais diferentes produzindo respostas diferentes; O homem se via recuado diante a força da natureza e começa a tecer os mitos para explicar o que não se podia ver.
-Breve resumo do que é mito: Origem no desejo de dominação do mundo, para afastar o medo e a insegurança diante dos enigmáticos fenômenos da natureza; forma simbólica de explicação dos fenômenos que nos rodeiam.
*Arbitrariedade do Mito
-O mito revela que os destinos humanos estão submetidos à arbitrariedade de forças ( deuses ) que estão além do entendimento.
- A partir do século VI a.C., alguns pensadores gregos acabam apostando na razão como instrumento de conhecimento confiável para investigar a realidade; é o lento nascimento da Filosofia.
Fundamentos da Filosofia
*Comparando Mito e Filosofia
MITO à Busca explicar fenômenos através de lendas passadas pela tradição oral; Não se preocupa com o desencadeamento lógico de suas afirmações; Sua autoridade provém da crença e da instituição religiosa.
Filosofia à Busca explicar o mundo por meio de causas e efeitos lógicos e coerentes; Não admite a contradição entre a afirmação atual e as anteriores; Sua autoridade provém da razão, que é comum a todos os seres humanos.

 Fundamentos da Filosofia (Continuação )
*Filósofos Pré-Socráticos: A filosofia nessa época tem como objetivo entender e explicar a origem da estrutura dos fenômenos da natureza através da cosmologia. ‘Cosmológico’ vem do grego kosmos que quer dizer ordem, os gregos percebem então, que existe uma ordenação no mundo, de um kosmos.
*Para tentar entender o mundo de forma racional que não fosse por meio do mito, os primeiros pensadores gregos foram em busca do princípio fundamental a qual chamavam por arkhé. Uma vez descoberta a arkhé acreditavam que seria possível explicar a origem e a estrutura do mundo.
 Pré-Socráticos – Parte I
*Tales de Mileto: O princípio é a água
Tales acreditava que o principio fundamental, a arkhé, era a água. Dizia ele que a água estava em qualquer lugar, seja nos infinitos oceanos, na terra, no ar formando a chuva... Acreditava que a água era infinita e pelo seu poder ela apagava o fogo, corroia pedras e formava o vapor e o ar. Acreditava que a água era a fonte de vida, pois qualquer vivo quando privado de água tinha seu fim certo e apesar de todas as mudanças ele nunca mudava mesmo passando por todos os seus estados físicos. “Tales afirmou que o mundo está cheio de deuses.”- com tal frase/afirmação Tales queria dizer que as estruturas que formam o mundo – a arkhé- estão cheias de poder e independência, assim como os deuses, concluindo que tais estruturas não precisam de divindades, pois já são dependentes.
*Anaximandro de Mileto: O princípio é o infinito
Mesmo tendo aprendido a filosofia com Tales, Anaximandro não conseguia acreditar que um princípio material, como a água, poderia ser a arkhé de um mundo também material, como poderia uma matéria ser a causa de outra matéria? Anaximandro acreditava que, como todo ser vivo e toda matéria era finita, não poderia ser originada por algo finito. Então, para ele o princípio fundamental era uma entidade chamada de apeíron, o eterno, o infinito, o ilimitado que gerava mundos finitos, limitados.
*Anaxímenes de Mileto: O princípio é o ar
Anaxímenes acreditava no conceito de seu mestre, Anaximandro, que o infinito era o que dava origem ao finito, mas não acreditava que esse conceito seria indefinido, como era o apeíron. Acreditava, por tanto, que o ar era o principio fundamental, a arkhé. Para ele o ar era infinito até onde os olhos podem ver e tinha propriedades únicas, como se adaptar a qualquer frasco ou ambiente, ou seja, podia assumir qualquer forma.
 Pré-Socráticos – Parte II
*Heráclito de Éfeso: A realidade é a mudança
Acreditava que o princípio era o fogo, não o fogo que conhecemos, mas sim o fogo da noção de mudança, o fogo que dá a idéia de alternância a mente – o fogo está e não está. Heráclito percebe que nada é constante, tudo está em eterna mudança, “tudo flui, tudo passa, tudo está em perpétuo movimento”. Para ele tudo está regido pela mudança que um dia nasce, cresce, envelhece e depois morre assim como o fogo que nasce da morte da vela e a cinza nasce da morte do fogo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Aula de Apoio de História e Sociologia

MODOS DE PRODUÇÃO

É a maneira pela qual uma sociedade organiza-se para produzir o que for necessário à sua sobrevivência. Ao longo da história houve seis modos de produção:

1-MODO DE PRODUÇÃO PRIMITIVO OU COMUNAL:
Foi característico dos primeiros grupos humanos que viveram na terra, embora ainda exista em comunidades isoladas (ex: algumas tribos indígenas isoladas na Amazônia, na África, etc.). Nesse modo de produção, a comunidade trabalha unida (todos trabalham em prol de todos); os meios de produção (ex: ferramentas, utensílios ou armas) e os frutos do trabalho são repartidos entre todos. Não há ninguém com mais posses do que outro. Não existe a ideia da propriedade privada, não há desigualdade social,  não há exploradores nem explorados. As relações de produção são de amizade e ajuda entre todos; não existe a figura do Estado: este só surgiu quando a sociedade cresceu e as atividades diversificaram-se, dando início à civilização, sendo inevitável o surgimento do Estado, o qual, através de seus governantes, passou a comandar os trabalhos coletivos, administrar o povo, cobrar impostos, etc. O modo de produção comunal foi o único modelo de comunismo implantado pela humanidade.
2-MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO OU SOCIEDADES HIDRÁULICAS (OU DO REGADIO):
Existiu no Egito, China, Oriente Próximo e Índia: Foi marcado pelo surgimento do Estado, o principal meio de  organização e dominação, através dos imperadores, reis e faraós. Esse tipo de poder, também denominado despotismo oriental, caracterizou-se pela formação de grandes comunidades agrícolas e pela apropriação dos excedentes de produção (o Estado apropriava-se da maior parte da produção agrícola) A agricultura era a base da economia, sendo praticada por comunidades de camponeses presos a terra, a qual não podiam abandonar, vivendo submetidos a um regime de servidão coletiva. As terras  pertenciam ao Estado, cujo tipo de governo era geralmente uma teocracia (governo baseado na ideologia religiosa). O uso da teocracia pelos governantes facilitava o controle da sociedade, em sua maioria analfabeta e ignara (através da ameaça e da força sairia bem mais caro). Para a população, cujo conhecimento limitava-se ao senso comum, apenas os escribas, sacerdotes e governantes sabiam interpretar e revelar a vontade dos deuses.
O excedente apropriado pelo Estado era em parte comercializado e em parte distribuído entre a própria nobreza,  formada por sacerdotes, escribas e guerreiros. Nos períodos entre as safras, os trabalhadores (servos e escravos) eram deslocados para a construção de obras públicas, (canais de irrigação, diques, templos, túmulos, monumentos, etc.). A  servidão coletiva era o modo de pagamento para o rei ou faraó pelo uso das terras. Esse modo de produção chegará ao fim devido às revoltas do povo contra a exploração promovida pela elite dirigente, provocando enfraquecimento geral dos Estados, os quais acabaram sucumbindo às invasões de outros povos (ex: o Egito acabou sendo dominado pelos macedônios).
3-MODO DE PRODUÇÃO ESCRAVISTA:
Civilizações como a persa, egípcia, grega e a romana utilizaram o trabalho de escravos, conquistados principalmente através de guerras, embora tenha havia, em menor número, a escravização por dívidas, ou mesmo quando homens empobrecidos se vendiam como escravos como forma de sobrevivência. No Egito, por exemplo, os escravos eram em geral prisioneiros de guerra, os quais não eram a principal força de trabalho. Comparados aos outros povos antigos, os egípcios eram mais tolerantes com seus escravos.
A Grécia e principalmente Roma, utilizaram o trabalho escravo em larga escala, tanto no campo como nas cidades e até como gladiadores. Gregos e romanos foram talvez os que mais se assemelharam aos ocidentais através do comércio e da desumanização do ser humano. Contudo, estas civilizações não teriam tido êxito em sua ascendência se não fosse o trabalho escravo, ou seja, a grandeza delas esta diretamente ligada ao trabalho de homens, mulheres e crianças desumanizados e dominados. Atenção: não confunda este tipo de escravidão com a escravidão negra ocorrida nas Américas. A escravidão negra estava inserida no modo de produção inicial do capitalismo, chamado de mercantilismo.
Até nos dias atuais ainda há problemas relacionados ao trabalho escravo; aqui no Brasil, ocorrem principalmente em longínquas fazendas do interior do país.
4-MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL:
No feudalismo, o poder político é descentralizado (cada feudo era como se fosse um pequeno país, com suas próprias leis, sistema de pesos e medidas, impostos e em alguns casos até moeda em alguns casos); A economia dos feudos era praticamente autônoma ou autárquica, ou seja, produziam tudo o que era necessário para sobreviver (alimentos, roupas, móveis, etc.); isso se explica devido ao clima de insegurança total nas estradas, já que a época era caracterizada pela invasão dos povos bárbaros e pelo clima geral de violência, pois o poder do senhor feudal residia na sua capacidade de possuir mais terras e isso só era possível através de seu poderio militar e sua belicosidade. Nem todos os feudos eram inimigos, já que havia aliança entre alguns feudos contra a aliança de outros.
Sociedade: A sociedade feudal era composta por três estamentos (nobreza, clero e servos); no senso comum da época, a nobreza existia para guerrear e defender o feudo, o clero tinha função ideológica: eram vistos como os donos das verdades divinas, as quais recebiam e entregavam à sociedade; além disso, o clero justificava a sociedade estamental  como se fosse a vontade divina, além de ser o único estamento que sabia ler e escrever; com sua forte influência ideológica, mantinham os servos alienados, evitando assim a revolta. Para os servos, restava a função de trabalhar duro e sustentar os demais estamentos. Os servos não eram escravos, pois não podiam ser vendidos, mas não eram livres,  não podiam abandonar o feudo. Estavam presos à terra, sofriam intensa exploração, eram obrigados a prestarem serviços à nobreza e a pagar-lhes diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e de proteção militar.
5-MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA:
Capitalismo é o sistema socioeconômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios, etc.) e o capital são de propriedade privada, pertencentes  à classe burguesa (empresariado). É o modo de produção mais usado pela humanidade. A classe dos não proprietários, chamada de operariado ou proletariado, possui apenas a sua força de trabalho, a qual é usada em troca do salário pago pela burguesia.
CARACTERÍSTICAS: boas e ruins, pois não há modo de produção perfeito.
As características positivas em geral são:
- Iniciativa privada ou empreendedorismo: é muito mais ágil do que a iniciativa estatal, pois se baseia no princípio de que cada necessidade é uma oportunidade de se fazer negócio. Muitas pessoas vivem procurando novas oportunidades de produtos ou serviços, onde através das mesmas podem vir a prosperar.
- Concorrência: estimula a inovação e o aperfeiçoamento constante dos produtos e serviços; quem produz uma mercadoria ou oferece um serviço, a princípio, pode não querer inovar, mas, basta que um concorrente inove ou aperfeiçoe, para que os demais sejam obrigados à mesma ação, caso contrário, correm o risco de perderem clientes e irem à falência.
- Realização dos sonhos de consumo: muitos visualizam realizar seus sonhos de consumo através de seu empreendedorismo, desde que obtenha o sucesso almejado.
- Geração de emprego e renda: o empreendedorismo é um dos maiores geradores de emprego e renda;
-Produtividade: a expectativa de lucro estimula a produção; no capitalismo a produção eficiente é uma das principais metas do empreendedor: produzir mais rápido, com menos perdas e com mais eficiência.
- Dinamismo: a forte concorrência leva as empresas e as pessoas a serem cada vez mais dinâmicos, exigindo mais empenho, estudo, atualização, etc.
As características negativas em geral são:
-Desigualdade social: ricos (classe A), classe média (classe B) e pobres (classes C e D). Além disso, a desigualdade pode provocar o preconceito social.
-Concorrência: para vencer os concorrentes, é preciso ter preço competitivo e para isso, o patrão lança mão de diversas medidas tais como automatizar, informatizar, demitir, terceirizar, etc.
-Exploração do trabalhador: o trabalhador não recebe o devido valor pelo que produz; a maior parte de sua produção é embolsada pelo patrão; é a chamada mais-valia. Isso também pode ser visto como algo natural no modelo capitalista, pois quem chega a se tornar patrão (mesmo que tenha sido um ex-operário), dificilmente irá querer repartir o lucro de maneira igual entre si e seus empregados.
-Criar falsas necessidades de consumo: é preciso alienar o povo para que troque rapidamente de mercadoria, para que sinta a falsa necessidade de estar na moda ou ter o mais moderno celular, ou o carro do ano, etc. Essa alienação se dá através da propaganda em geral e da mídia (tv, internet, filmes, novelas, etc.). Dessa maneira, muita gente compra não porque precisa, mas apenas para exibir (compra o que não precisa, com um dinheiro que não tem para exibir-se a pessoas de quem não gosta)
- Ciclos de crise: essas crises são naturais no capitalismo e geralmente seguem os seguintes passos: as pessoas compram, tomam empréstimos, endividam-se, ficam sem poder pagar, deixam de comprar, os estoques aumentam, as vendas caem, as empresas demitem, as dívidas aumentam, muita gente perde o emprego, empresas quebram, etc. Após algum tempo, o ciclo de prosperidade reinicia, através da ação do Estado para reaquecer a economia. Como se dá essa ação: em geral são empréstimos às empresas em dificuldade, redução de juros, refinanciamento ou perdão de dívidas, etc. Moral da história: em tempos de prosperidade, os lucros são privatizados pelos patrões, mas em tempos de crise, os prejuízos são socializados, pois quem socorre as empresas em crise é o dinheiro público (o qual veio dos impostos) através do Estado.
-Oligopólios: são poucas empresas que dominam determinado segmento do mercado; elas acabam cartelizando os preços de seus produtos.
-Carteis: ocorre quando várias empresas que atuam no mesmo setor fazem acordos de preços sobre determinado produto ou serviço. Dessa maneira, o consumidor sai em desvantagem, pois isso elimina a concorrência real, pois os preços são combinados.
-Trustes: são empresas que abrem mão de sua independência legal e se unem para constituir uma única organização.
exemplo: empresas que trabalham com o mesmo ramo de produtos tais como empresas de alimentos, bebidas, automóveis, etc.
-Holdings: é o estágio mais avançado do capitalismo;  é uma empresa criada para administrar um grupo de empresas (conglomerado). A holding administra e possui a maioria das ações ou quotas das empresas componentes de um determinado grupo. Essa forma de sociedade é muito utilizada por médias e grandes empresas e normalmente visa melhorar a estrutura de capital, ou é usada como parte de uma parceria com outras empresas.
-Dumping: é uma prática comercial que consiste em uma ou mais empresas de um país venderem seus produtos, mercadorias ou serviços por preços bem abaixo de seu valor para outro país, por um tempo, visando prejudicar e eliminar os fabricantes de produtos similares concorrentes no local, passando então a dominar o mercado e impondo preços altos. É um termo usado em comércio internacional e é reprimido pelos governos nacionais, quando comprovado.
6-MODO DE PRODUÇÃO SOCIALISTA: 
A base econômica do socialismo é a propriedade social dos meios de produção, isto é, os meios de produção são públicos ou coletivos, não existindo empresas privadas; isso significa que toda a iniciativa é do Estado, ou seja, você não poderá mais ter seu próprio negócio (mesmo que fosse um simples ambulante)e se o tivesse, o perderia, pois passaria a ser do Estado. A finalidade da sociedade socialista é a satisfação das necessidades de toda a população: emprego, habitação, educação, saúde.
LADO POSITIVO:
- Meios de produção socializados: no socialismo toda estrutura produtiva, como empresas, indústrias, terras, dentre outros, pertencem ao Estado, sendo por ele gerenciados. Todo o resultado da produção gerado pelos processos produtivos são divididos entre seus funcionários.
• Inexistência de sociedade dividida em classes: como os meios de produção pertencem à sociedade, há geralmente, apenas uma classe: a dos proletários, mesmo havendo médicos, engenheiros, etc. Todos trabalham em conjunto e com o mesmo propósito.
-Não há concorrência entre empresas
-Não há do empregado em perder o emprego
-Não há falência das empresas.
LADO NEGATIVO:
-Baixa produtividade: como não há mais demissão nem concorrência nem falência, a produção é inferior a do capitalismo; mesmo que haja incentivos para os que produzissem mais.
-Não há dinamismo: como não há mais lucro, não há mais estímulo à inovação, aperfeiçoamento, etc. Os produtos são os mesmos durante vários anos, tornando-se obsoletos em relação aos do capitalismo. Um exemplo disso eram os eletrodomésticos e automóveis da União Soviética em comparação com os do Ocidente capitalista.
-Não há iniciativa privada: frustra a expectativa de ter seu próprio negócio, mesmo que seja simples; inibe e desestimula o empreendedorismo, os quais são vistos como coisas do capitalismo e da burguesia.
-Desabastecimento: como a produção é pouca, o abastecimento é precário. Nos supermercados do mundo socialista, longas filas se formavam para esperar a chegada dos poucos produtos, os quais eram vendidos através do racionamento.
-Ditaduras: O socialismo, em todos os países onde foi implantado, só o foi através de ditaduras, ou seja,  jamais houve socialismo democrático. O tipo de governo geralmente é uma ditadura monopartidária, onde só pode existir o partido oficial, o comunista. Sob a justificativa de preservar e defender alguns direitos sociais (casa, comida, educação e saúde) essas ditaduras acabaram com quase todos os direitos civis, políticos e humanos, ou seja, o ser humano passou a ser tratado como se fosse gado e o Estado exigia do povo este comportamento (basta ao povo o pasto e o curral). A imprensa era censurada (só era permitida a oficial), não havia liberdade para protestar ou criticar as ações do governo, nem liberdade para viajar ao exterior, nem liberdade de crença (as religiões foram proibidas), nem liberdade de associação, nem partidária, nem de ter seu próprio negócio, etc.
-Elite parasitária e burocrática: O partido comunista criou uma enorme elite partidária parasitária, a qual passou a comandar todas as empresas (indústrias, comércio, serviços, etc). Essa elite passou a viver de maneira diferenciada da maioria dos trabalhadores, ou seja, tinham privilégios (ex: casa de campo, carro de luxo, etc.), além de serem despreparadas para gerenciar empresas e prestar serviços eficientes visando o bem da população em geral.
O socialismo acabou sendo usado pelos líderes para perpetuarem-se no poder, através das seguintes estratégias:
1° - Retirar do povo todo o direito às propriedades (terras, imóveis, negócios), para que não tenham nenhum poder econômico e dependam totalmente da elite partidária (Estado) para viverem.
2° - Impedir com que o povo saia do País, fechando as fronteiras.
3° - Vigiar de perto a população através da polícia política e das denúncias, estimulando o povo a denunciar quem critica o governo. Através dessas estratégias, (espionando e vigiando) o Estado socialista dificultava a organização e articulação da sociedade no sentido de promover mudanças.
4º Desarmar a população: Eliminar toda a possibilidade da posse de armas pela população, através de confiscos e punições severas. As armas são liberadas apenas para a elite partidária.
5° - Censura e controle total da imprensa e mídias, eliminando qualquer informação que alerte ao povo sobre os crimes praticados pela elite partidária bem como sobre suas mordomias.
Foi o conjunto desses fatores negativos que provocaram o colapso dos países socialistas, aliado ao fato de que a maioria deles investiu a maior parte de seus recursos em armamentos e exércitos, durante a Guerra Fria, prejudicando o pleno atendimento da população. OBS: é importante frisar que as ditaduras também existiram em países capitalistas (ex: Argentina, Brasil, Alemanha, Portugal, Espanha, etc.)., ou seja, socialismo e capitalismo tem seus pontos positivos e negativos, mas o problema maior é a Ditadura.

sexta-feira, 22 de julho de 2016


RESUMO DA 2ª AULA DE HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
Escravidão
Cultura Afro-Brasileira
Povos Ameríndios – América Espanhola
Movimentos Culturais no mundo ocidental
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se firmaram como a maior potência do mundo capitalista. Entretanto, a situação de crise econômica enfrentada pelos países europeus, poderia se tornar uma ameaça à prosperidade norte-americana, já que um grande mercado consumidor fora arrasado pela guerra. Nesse contexto, a “Doutrina Truman” surgiu como uma solução viável, promovendo tanto a recuperação econômica dos aliados europeus quanto, no âmbito interno, a estimulação da capacidade aquisitiva da população norte-americana.
No cenário da Guerra Fria, o consumismo norte-americano era considerado a melhor forma de afastar o “perigo comunista”.
A partir da década de 50, a emergente sociedade de consumo passou a abarcar um novo mercado com o surgimento a cultura jovem. A cultura da juventude, apesar de tender à insatisfação e revolta com os valores mais arcaicos da sociedade ainda era um tanto ingênua no seu surgimento. Era ligada ao fenômeno do rock’n’roll que, apesar de chocante para os padrões morais da época, não era politicamente engajado, falando sobre carros e relacionamentos amorosos. Ainda assim, as mudanças introduzidas pela cultura jovem, passaram a ser assimiladas pela indústria cultural e, consequentemente divulgadas através dos meios de comunicação podendo atingir os diversos países do globo, inclusive o Brasil.
Foi somente a partir dos anos 60 que a juventude se mostrou mais engajada e politizada. A guerra do Vietnã e os movimentos negros motivaram os jovens a lutar pela transformação da sociedade. Esse quadro político e social propiciou o aparecimento da canção de protesto, mas, ao mesmo tempo houve a ascensão do rock britânico através de bandas como os Beatles e os Rolling Stones.
Na segunda metade dos anos 60, houve uma radicalização dos movimentos jovens, foi um período marcado pela contracultura, fenômeno no qual o jovem passava a se conduzir de forma contrária os valores estabelecidos pela sociedade. Os movimentos de contracultura, como por exemplo o hippie, nasceram do desejo de uma felicidade individual, simples, distante da sociedade de consumo e do moralismo.
Daí veio o culto à paz, harmonia, o amor livre o misticismo e o uso de drogas como o LSD. A contestação dos movimentos de contracultura culminou com a radicalização dos movimentos estudantis a partir do maio de 68 na França, que não estava vinculado a nenhuma ideologia específica, mas apregoava o direito de cada um de pensar e se expressar livremente.
No final da década de 60, os movimentos de contracultura se fragmentaram, sendo que alguns desses fragmentos foram assimilados pela indústria cultural.
Já o cinema brasileiro desse período fez muito sucesso, inclusive internacional. O Cinema Novo sofreu influência da Nouvelle Vague francesa e se desenvolveu graças ao ambiente favorável da cultura engajada, promovendo uma visão crítica da situação política e social do Brasil. Após o golpe militar de 64, o Cinema Novo passou a refletir sobre o papel da própria esquerda, focalizando a classe média urbana.
Nos anos 70, com a assimilação da contracultura, a cultura jovem se dividiu e se sofisticou com o rock progressivo, o heavy metal e a discothèque. Reagindo a essa tendência, surgiu o movimento punk, vinculado à juventude proletária das grandes cidades, que iria reciclar o rock, tocando-o de forma menos sofisticada. Os punks organizaram seus grupos musicais que eram contra o sistema industrial, vinculando-se a gravadoras independentes.
Na área cinematográfica, iniciou-se a produção de um cinema “marginal” que procurava revolucionar a linguagem através de um discurso fragmentado incorporando elementos de kich e absurdos.
Nos aos 80, a cultura jovem passou a envolver movimentos pacifistas e ecologistas ao redor do mundo, denunciando os problemas envolvendo os países de terceiro mundo e o meio ambiente. Em contrapartida os avanços tecnológicos passaram a influenciar a música (pós-punk, hardcore trash metal, tecnopop entre outros) e o cinema (efeitos especiais). A formação de entidades ecológicas também envolveu a juventude brasileira, que inclusive participou do movimento das Diretas.
A cultura jovem dos anos 90 foi influenciada pela globalização, pelo avanço representado pela internet e foi marcada por grupos como cyberpunks e movimentos como o grunge. No Brasil, a juventude participou ativamente do movimento dos caras-pintadas pelo impeachment do presidente Collor.
Foi também a época da expansão do hip hop e o surgimento do mangue beat. Os movimentos culturais da juventude se apresentaram ao longo da história das mais diversas formas e linguagens, porém, de um modo geral, mantinham um objetivo comum e universal, de romper com antigos costumes e imposições sociais, provocando discussão sobre assuntos considerados tabus e buscando a renovação e transformação da sociedade.
Antiguidade e a Organização Social
Divisão da história da Grécia
A história da Grécia é dividida, pelos historiadores, em quatro períodos principais:
• Pré-Homérico – Hélade, Aqueus, Eólios, Dórios e Jônios
• Homérico- Ilíada e Odisseia
• Arcaico – Surgimento da “polis” – Cidade-Estado
• Clássico – Apogeu e declínio de Esparta e Atenas.
Legado da Antigas Civilizações.
Questões de ENEM- A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e dessa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto,  conta, nem peso, nem medida. GÂNDAVO, P M. A primeira história do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado).
A observação do cronista português Pero de Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a ausência das letras F, L e R na língua mencionada, demonstra a
a) simplicidade da organização social das tribos brasileiras.
b) dominação portuguesa imposta aos índios no início da colonização.
c) superioridade da sociedade europeia em relação à sociedade indígena.
d) incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses.
e) dificuldade experimentada pelos portugueses no aprendizado da língua nativa.
Enem -2015 O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório, a discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim como do jogo político. VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado).
Na configuração política da democracia grega, em especial a ateniense, a ágora tinha por função
a) agregar os cidadãos em torno de reis que governavam em prol da cidade.
b) permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus magistrados.
c) constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as questões da comunidade.
d) reunir os exercícios para decidir em assembleias fecha- das os rumos a serem tomados em caso de guerra.
e) congregar a comunidade para eleger representantes com direito a pronunciar-se em assembleias
Enem – 2015 A Unesco condenou a destruição da antiga capital assíria de Nimrod, no Iraque, pelo Estado Islâmico, com a agência da ONU considerando o ato como um crime de guerra. O grupo iniciou um processo de demolição em vários sítios arqueológicos em uma área reconhecida como um dos berços da civilização. Unesco e especialistas condenam destruição de cidade assíria pelo Estado Islâmico. Disponível em: http://oglobo.globo.com.  Acesso em: 30 mar. 2015 (adaptado).
O tipo de atentado descrito no texto tem como consequência para as populações de países como o Iraque a desestruturação do(a)
a) homogeneidade cultural.
b) patrimônio histórico.
c) controle ocidental.
d) unidade étnica.
e) religião oficial.


sexta-feira, 24 de junho de 2016


Resuminho de Conceitos
HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS – Prof. Edson
Industria Cultural
O termo Indústria Cultural (em alemão Kulturindustrie) foi criado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), a fim de designar a situação da arte na sociedade capitalista industrial. A indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, possui padrões que se repetem com a intenção de formar uma estética ou percepção comum voltada ao consumismo.
Sociedade do Espetáculo
A Sociedade do Espetáculo é o trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quanto da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da segunda grande guerra.
O ponto central de sua teoria é que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. É a consequência do modo capitalista de organização social que assume novas formas e conteúdos em seu processo dialética de separação e reificação da vida humana. Como uma constituição moderna da luta de classes, o espetáculo é uma forma de dominação da burguesia sobre o proletariado e do espetáculo, sua lógica e sua história, sobre todos os membros da sociedade.
Multiculturalismo
O termo multiculturalismo se refere a uma pluralidade cultural que convive de forma harmônica. O termo costuma ser utilizado em alguns estudos antropológicos e sociológicos que tenta explicar como as sociedades que possuem um acervo cultural tão diferente convivem entre si.
Diversidade Cultural
A diversidade cultural são diferenças culturais que existem entre o ser humano. Há vários tipos, tais como: a linguagem, danças, vestuário, religião e outras tradições como a organização da sociedade. A diversidade cultural é algo associado à dinâmica do processo aceitativo da sociedade.
Relativismo Cultural
O relativismo cultural é um método de observar sistemas culturais sem uma visão etnocêntrica em relação à sociedade do pesquisado. Ou sejaː realizar a observação sem usar nenhum meio ou parâmetro preconcebido pela cultura ocidental e, assim, realizar um estudo e/ou observação do sistema cultural em questão sem nenhum preconceito. E, com isso, realizar a avaliação sem privilegiar os valores de um só ponto de vista, e estruturar o corpo social a partir de suas próprias características. As culturas estudadas adquirem, assim, seus próprios sistemas de valores e sua própria integridade cultural.
Etnocentrismo

Etnocentrismo é um conceito antropológico que ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo de pessoas, que têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro, julgando-se melhor ou pior, seja por causa de sua condição social, pelos diferentes hábitos ou manias, por sua forma de se vestir, ou até mesmo pela sua cultura.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

1ª Aula Preparatória e Revisional do Enem - Quiz
DIVERSIDADE CULTURAL, CONFLITOS E VIDA EM SOCIEDADE – CULTURA MATERIAL E IMATERIAL; PATRIMÔNIO E DIVERSIDADE CULTURAL NO BRASIL.
A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de uma sociedade, entre os quais podemos citar: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. O Brasil, por conter um extenso território, apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.
Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colonizadores europeus, a população indígena e os escravos africanos. Posteriormente, os imigrantes italianos, japoneses, alemães, poloneses, árabes, entre outros, contribuíram para a pluralidade cultural do Brasil.
Nesse contexto, alguns aspectos culturais das regiões brasileiras serão abordados.
Região Nordeste
Entre as manifestações culturais da região estão danças e festas como o bumba meu boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciranda, coco, terno de zabumba, marujada, reisado, frevo, cavalhada e capoeira.
Algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá e a lavagem das escadarias do Bonfim. A literatura de Cordel é outro elemento forte da cultura nordestina. O artesanato é representado pelos trabalhos de rendas. Os pratos típicos são: carne de sol, peixes, frutos do mar, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, bolo de fubá cozido, bolo de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, cocada, tapioca, pé de moleque, entre tantos outros.
Região Norte
A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa. As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, em Belém (PA); e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho, no Amazonas. Outros elementos culturais da região Norte são: o carimbó, o congo ou congada, a folia de reis e a festa do divino. A influência indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. Outros alimentos típicos do povo nortista são: carne de sol, tucupi (caldo da mandioca cozida), tacacá (espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro.
Região Centro-Oeste
A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, recebendo contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações culturais típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, no estado de Goiás; e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária regional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz boliviano, Maria Isabel, empadão goiano, pamonha, angu, curral, os peixes do Pantanal - como o pintado, pacu, dourado, entre outros.
Região Sudeste
Os principais elementos da cultura regional são: festa do divino, festejos da páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, carnaval, peão de boiadeiro, dança de velhos, batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia de reis, caiapó.
A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos típicos se destacam a moqueca capixaba, pão de queijo, feijão-tropeiro, carne de porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho, virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza, etc.
Região Sul
O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses, espanhóis e, principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são: a Festa da Uva (italiana) e a Oktoberfest (alemã). Também integram a cultura sulista: o fandango de influência portuguesa, a tirana e o anuo de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a congada, o boi-de-mamão, a dança de fitas, boi na vara. Na culinária estão presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco assado, barreado (cozido de carne em uma panela de barro), vinho.
CULTURA MATERIAL E IMATERIAL; DIVERSIDADES E PATRIMÔNIO HISTÓRICO NO BRASIL
O Patrimônio Cultural pode ser definido como um bem (ou bens) de natureza material e imaterial considerado importante para a identidade da sociedade brasileira.
Segundo artigo 216 da Constituição Federal, configuram patrimônio “as formas de expressão; os modos de criar; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.”
No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é responsável por promover e coordenar o processo de preservação e valorização do Patrimônio Cultural Brasileiro, em suas dimensões material e imaterial.
Os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, ao modo de ser das pessoas. Desta forma podem ser considerados bens imateriais: conhecimentos enraizados no cotidiano das comunidades; manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; rituais e festas que marcam a vivência coletiva da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; além de mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais.
Na lista de bens imateriais brasileiros estão à festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a Feira de Caruaru, o Frevo, a capoeira, o modo artesanal de fazer Queijo de Minas e as matrizes do Samba no Rio de Janeiro.
O patrimônio material é formado por um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza: arqueológico, paisagístico e etnográfico; histórico; belas artes; e das artes aplicadas. Eles estão divididos em bens imóveis – núcleos urbanos, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais – e móveis – coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.
Entre os bens materiais brasileiros estão os conjuntos arquitetônicos de cidades como Ouro Preto (MG), Paraty (RJ), Olinda (PE) e São Luís (MA) ou paisagísticos, como Lençóis (BA), Serra do Curral (Belo Horizonte), Grutas do Lago Azul e de Nossa Senhora Aparecida (Bonito, MS) e o Corcovado (Rio de Janeiro).
Questões Enem:
Enem(2014) O etnocentrismo pode ser definido como uma “atitude emocionalmente condicionada que leva a considerar e julgar sociedades culturalmente diversas com critérios fornecidos pela própria cultura. Assim, compreende-se a tendência para menosprezar ou odiar culturas cujos padrões se afastam ou divergem dos da cultura do observador que exterioriza a atitude etnocêntrica. (...) Preconceito racial, nacionalismo, preconceito de classe ou de profissão, intolerância religiosa são algumas formas de etnocentrismo”. (WILLEMS, E. Dicionário de Sociologia. Porto Alegre: Editora Globo, 1970. p. 125.)
Com base no texto e nos conhecimentos de sociologia, assinale a alternativa cujo discurso revela uma atitude etnocêntrica:
a) A existência de culturas subdesenvolvidas relaciona-se à presença, em sua formação, de etnias de tipo incivilizado.
b) Os povos indígenas possuem um acúmulo de saberes que podem influenciar as formas de conhecimentos ocidentais.
c) Os critérios de julgamento das culturas diferentes devem primar pela tolerância e pela compreensão dos valores, da lógica e da dinâmica própria a cada uma delas.
d) As culturas podem conviver de forma democrática, dada a inexistência de relações de superioridade e inferioridade entre as mesmas.
e) O encontro entre diferentes culturas propicia a humanização das relações sociais, a partir do aprendizado sobre as diferentes visões de mundo.
Enem (2013) O conceito “São diferenças culturais que existem entre os seres humanos. Há vários tipos, tais como: a linguagem, danças, vestuário, religião e outras tradições como a organização da sociedade” diz respeito a:
a) Ações etnocêntricas.   
b) Diversidade Cultural.
c) Relatividade Moral.
d) Relativismo Cultural.
e) Multiculturalismo.
Enem (2013) A Constituição brasileira estabelece que o poder público deve promover e proteger a cultura nacional através daquilo que se convencionou designar como “patrimônio cultural brasileiro.” Esse “patrimônio” é formado por bens materiais e bens imateriais e que configuram uma identidade à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. O órgão responsável pelo tombamento das culturas é o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) que reconhece atualmente 15 patrimônios imateriais, dentre eles:
a) samba, capoeira e o acarajé
b) frevo, Ouro Preto e a música caipira
c) viola artesanal, cinema nacional e o samba
d) Brasília, Pantanal mato-grossense e   Amazônia
e) judô, cancioneiro popular e a festa do Círio de Nazaré.
A CONQUISTA DA AMÉRICA. CONFLITOS ENTRE EUROPEUS E INDÍGENAS NA AMÉRICA COLONIAL. A ESCRAVIDÃO E FORMAS DE RESISTÊNCIA INDÍGENA E AFRICANA NA AMÉRICA. HISTÓRIA CULTURAL DOS POVOS AFRICANOS. A LUTA DOS NEGROS NO BRASIL E O NEGRO NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA.
Quando falamos em conquista estamos falando em dominação, em poder do superior para o inferior, e é isto mesmo que aconteceu com os povos da América no século XV pelos europeus, ou seja, a Coroa Portuguesa e a Coroa Espanhola no sistema mercantilista onde a acumulação de capital seria pela balança favorável de riquezas pertencidas ao seu território. Quem saiu na frente nesta empreitada foi à Espanha com Cristóvão Colombo que foi no rumo Oeste para chegar às Índias, mas só que chegou à cidade de São Domingos pensando que tivesse chegado às Índias chamou todos os habitantes de índios.
Só que o grande objetivo de Portugal e a Espanha eram obter riquezas (lucros) para seus Estados Nacionais em formação.
Os espanhóis chegando à América Central mataram grandes civilizações culturais como os maias, os incas e os astecas. Como estes povos eram muito religiosos acreditavam nas suas lendas, por exemplo, que um dia iria descer dos céus o deus sentado no veado e bem no tempo que os povos astecas estavam esperando apareceu o conquistador Cortez que foi interpretado com um deus, então a profecia estava sendo concretizada e a conquista se tornou verdade. Estes povos, os maias, os astecas e os incas lutaram até a morte mesmo tendo armas menos sofisticadas e muitos morreram pelas doenças trazidas pelos europeus com sarampo, gripe e outras epidemias.
A Espanha obteve riquezas com estes povos, mas só que lutou bastante. Já Portugal com a mesma ideia de conquistar às Índias pela África demorou mais a obter riquezas. Portugal lutou com povos menos guerreiros então não se desgastou tanto na luta pela conquista como a Espanha que lutava com povos de grandes civilizações americanas. O rei de Portugal primeiramente pensou em conquistas feitorias na África e o seu filho o infante D. Henrique, que foi na expedição pelas terras africanas, buscou conhecimentos marítimos e trouxe para Portugal e fundou a 1ª escola marítima a chamada “Escola de Sagres”.
Isto aprimorou os conhecimentos portugueses sobre o mar e invenções como a bússola, a caravela e outros foram instrumentos de grande valia na conquista da América pelos portugueses.
Os reis de Portugal investiram na frota de Pedro Álvares Cabral, pois ele encantado pelas histórias de Marco Polo que contava em seus livros sobre a riqueza do Oriente, queria chegar às Índias contornando o sul da África, mas só que quando a expedição foi se afastando cada vez mais da África e se aproximando da costa do Bahia, mais especificamente em Porto Seguro. Portugal, no primeiro momento, não ligou muito para estas terras porque não obteria lucro fácil.
O lucro adveio do pau-brasil que era um tipo de tintura para roupas. Como o comércio com o Oriente estava ficando com alto custo e muitos corsários europeus se aproximavam do Brasil e com medo de perder território a Coroa Portuguesa preferia investir no Brasil e a ideia foi o sistema de plantation que eram grandes áreas de plantação e a mão – de- obra seria escrava e assim estariam implantadas as colônias de exploração no Brasil. Bem diferente da América do Norte que foi uma colônia de povoamento e produzia mais produtos com a mão-de-obra livre.
Independência da América Espanhola
O processo de independência da América Espanhola ocorreu em um conjunto de situações experimentadas ao longo do século XVIII. Nesse período, observamos a ascensão de um novo conjunto de valores que questionava diretamente o pacto colonial e o autoritarismo das monarquias. O iluminismo defendia a liberdade dos povos e a queda dos regimes políticos que promovessem o privilégio de determinadas classes sociais.
Sem dúvida, a elite letrada da América Espanhola inspirou-se no conjunto de ideias iluministas. A grande maioria desses intelectuais era de origem criolla, ou seja, filhos de espanhóis nascidos na América desprovidos de amplos direitos políticos nas grandes instituições do mundo colonial espanhol. Por estarem politicamente excluídos, enxergavam no iluminismo uma resposta aos entraves legitimados pelo domínio espanhol, ali representado pelos chapetones. Ao mesmo tempo em que houve toda essa efervescência ideológica em torno do iluminismo e do fim da colonização, a pesada rotina de trabalho dos índios, escravos e mestiços também contribuiu para o processo de independência. As péssimas condições de trabalho e a situação de miséria já tinham, antes do processo definitivo de independência, mobilizado setores populares das colônias hispânicas. Dois claros exemplos dessa insatisfação puderam ser observados durante a Rebelião Tupac Amaru (1780/Peru) e o Movimento Comunero (1781/Nova Granada).
No final do século XVIII, a ascensão de Napoleão frente ao Estado francês e a demanda britânica e norte-americana pela expansão de seus mercados consumidores serão dois pontos cruciais para a independência. A França, pelo descumprimento do Bloqueio Continental, invadiu a Espanha, desestabilizando a autoridade do governo sob as colônias. Além disso, Estados Unidos e Inglaterra tinham grandes interesses econômicos a serem alcançados com o fim do monopólio comercial espanhol na região.
É nesse momento, no início do século XIX, que a mobilização ganha seus primeiros contornos. A restauração da autoridade colonial espanhola seria o estopim do levante capitaneado pelos criollos. Contando com o apoio financeiro anglo-americano, os criollos convocaram as populações coloniais a se rebelarem contra a Espanha. Os dois dos maiores líderes criollos da independência foram Simon Bolívar e José de San Martin. Organizando exércitos pelas porções norte e sul da América, ambos sequenciaram a proclamação de independência de vários países latino-americanos.
No ano de 1826, com toda América Latina independente, as novas nações reuniram-se no Congresso do Panamá. Nele, Simon Bolívar defendia um amplo projeto de solidariedade e integração político-econômica entre as nações latino-americanas.
No entanto, Estados Unidos e Inglaterra se opuseram a esse projeto, que ameaçava seus interesses econômicos no continente. Com isso, a América Latina acabou mantendo-se fragmentada.
O desfecho do processo de independência, no entanto, não significou a radical transformação da situação socioeconômica vivida pelas populações latino-americanas. A dependência econômica em relação às potências capitalistas e a manutenção dos privilégios das elites locais fizeram com que muitos dos problemas da antiga América Hispânica permanecessem presentes ao longo da História latino-americana. (Texto adaptado de SOUSA, R.).
Questões do ENEM:
Enem (2013) O canto triste dos conquistados: os últimos dias de Tenochtitlán

Nos caminhos jazem dardos quebrados;
os cabelos estão espalhados.
Destelhadas estão as casas,
Vermelhas estão as águas, os rios, como se alguém
as tivesse tingido,
Nos escudos esteve nosso resguardo,
mas os escudos não detêm a desolação…

PINSKY, J. et al. História da América através de textos. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento).

O texto é um registro asteca, cujo sentido está relacionado ao(à)
a) tragédia causada pela destruição da cultura desse povo.  
b) tentativa frustrada de resistência a um poder considerado superior.  
c) extermínio das populações indígenas pelo Exército espanhol.  
d) dissolução da memória sobre os feitos de seus antepassados.  
e) profetização das consequências da colonização da América. 

Enem (2010) O Império Inca, que corresponde principalmente aos territórios da Bolívia e do Peru, chegou a englobar enorme contingente populacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o centro administrativo, com uma sociedade fortemente estratificada e composta por imperadores, nobres, sacerdotes, funcionários do governo, artesãos, camponeses, escravos e soldados. A religião contava com vários deuses, e a base da economia era a agricultura, principalmente o cultivo da batata e do milho.
A principal característica da sociedade inca era a
a) ditadura teocrática, que igualava a todos.  
b) existência da igualdade social e da coletivização da terra.  
c) estrutura social desigual compensada pela coletivização de todos os bens.  
d) existência de mobilidade social, o que levou à composição da elite pelo mérito.  
e) impossibilidade de se mudar de extrato social e a existência de uma aristocracia hereditária.  
  
Independência da América Portuguesa
Apesar das muitas revoltas coloniais, a independência do Brasil só haveria de acontecer em 1822. E não foi uma separação total, como aconteceu em outros países da América que, ao ficarem independentes, tornaram-se repúblicas governadas por pessoas nascidas no país libertado. O Brasil independente continuou sendo um reino, e seu primeiro imperador foi Dom Pedro I, que era filho do rei de Portugal.
O processo da nossa independência começou mesmo em 1808, quando para cá veio à família real portuguesa. E acabou em 1822, quando Dom Pedro proclamou a Independência, a nossa separação de Portugal. Portugal deixou de mandar no Brasil. Mas saindo Portugal, outros países passaram a dominar o Brasil. Não governando diretamente o país, mas dominando nosso comércio, comprando barato o que vendíamos e vendendo caro o que comprávamos. O primeiro desses países foi à Inglaterra, depois vieram os Estados Unidos.
A vinda da família real.
No início do século XIX Napoleão Bonaparte era o imperador da França e queria dominar toda a Europa. Para vencer a poderosa Inglaterra, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, isto é, proibiu todos os países europeus de comercializar com os ingleses. Como Portugal era um antigo aliado da Inglaterra, não aceitou as ordens de Napoleão e a família real foi obrigada a fugir para o Brasil para não ser atacada por Napoleão, imperador da França. Quando as tropas francesas chegaram a Portugal, a família real portuguesa já tinha abandonado Lisboa. O restante da população portuguesa que ficou em Lisboa acabou se tornando vítima da guerra entre os franceses e ingleses pelo domínio de Portugal. Dom João, acompanhado de aproximadamente 10 mil pessoas, chegou ao Brasil em 1808 e depois de uma passagem por Salvador, onde decretou a Abertura dos portos brasileiros às nações amigas, rompendo assim, o pacto colonial, transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro.
Ao se instalar no Brasil, D. João transformou a cidade do Rio de Janeiro:
• criou três ministérios: Guerra e Estrangeiros; Marinha; Fazenda e Interior;
• instalou a Casa de Suplicação (hoje, Supremo Tribunal), a mais elevada corte de justiça;
• fundou o Museu Nacional, a Biblioteca Real, trouxe a Missão Francesa, fundou o Banco do Brasil;
• criou a Imprensa Régia, a primeira gráfica do Brasil;
• criou vários cursos (cirurgia, química, agricultura, desenho técnico) na Bahia e no Rio de Janeiro;
• anexou em 1809 a Guiana Francesa e manteve seu controle na região até 1817;
• invadiu o Uruguai, incorporado ao território brasileiro em 1821 como Província Cisplatina, situação em que ficou até 1828;
• em 1815 o Brasil foi elevado à categoria de reino, em igualdade de condições de Portugal;
• em 1818, com a morte de sua mãe, a rainha Dona Maria I, que era doente mental, o príncipe Dom João é coroado rei, com o título de Dom João VI.
A independência.
Após a derrota em Portugal, as tropas francesas foram expulsas e um general inglês foi nomeado governador do reino. Descontentes com esta situação, em 1820 tem início uma revolução na cidade de Porto e os portugueses fazem três exigências a Dom João VI, que estava no Brasil: que ele voltasse imediatamente para Portugal; que aceitasse uma nova Constituição e que ainda aceitasse a participação dos revolucionários no seu governo. Com medo de perder o trono, Dom João VI aceitou todas as exigências e voltou para Portugal em abril de 1821, deixando seu filho Dom Pedro como príncipe regente. Antes disso, porém, esvaziou os cofres do Banco do Brasil, levando quase todo o ouro para Portugal, deixando os brasileiros em grande dificuldade. Dom Pedro procurou dar um jeito na situação: diminuiu as despesas do governo, baixou os impostos e igualou os militares brasileiros aos portugueses. As Cortes de Lisboa não gostaram das medidas tomadas por Dom Pedro e queriam que o mesmo voltasse imediatamente para Portugal. Mas, Dom Pedro preferiu ficar no Brasil. Entre aqueles que lutavam pela independência, havia no Brasil dois grupos com orientações diferentes: aqueles que apoiavam D. Pedro e queriam uma independência pacífica, com a continuação de D. Pedro no poder; e aqueles que queriam o rompimento com Portugal e a proclamação da República. Dom Pedro fez de tudo para que a Independência fosse realizada como seu grupo queria e para que eles continuassem a ajudá-lo a governar o Brasil, continuando o povo sem participar nas decisões do Governo. Para conseguir isso, ele mesmo proclamou a Independência. Fez isso quando estava em viagem a São Paulo, ao receber alguns decretos das Cortes de Lisboa que anulavam algumas de suas decisões.
Dom Pedro aproveitou a ocasião e declarou a separação entre o Brasil e Portugal. Era o dia 7 de setembro de 1822. No dia 1o de dezembro de 1822. Dom Pedro foi coroado primeiro imperador do Brasil.
Questão do ENEM
(Enem 2014) A transferência da corte trouxe para a América portuguesa a família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português. Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808.
NOVAIS, F. A.; ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.

Os fatos apresentados se relacionam ao processo de independência da América portuguesa por terem
a) incentivado o clamor popular por liberdade.  
b) enfraquecido o pacto de dominação metropolitana.  
c) motivado as revoltas escravas contra a elite colonial.  
d) obtido o apoio do grupo constitucionalista português.  
e) provocado os movimentos separatistas das províncias.  
  
Escravização dos Índios e negros
Com efetivo início da colonização do Brasil, os portugueses tinham a necessidade de empreender um modelo de exploração econômica das terras que fosse capaz de gerar lucro em pouco tempo.
Para tanto, precisariam de uma ampla mão-de-obra capaz de produzir riquezas em grande quantidade e, dessa forma, garantir margens de lucro cada vez maiores para os cofres da Coroa Portuguesa. Contudo, quem poderia dispor de sua força de trabalho para tão ambicioso projeto?
Inicialmente, os portugueses pensaram em aproveitar do contato já estabelecido com os índios na atividade de extração do pau-brasil. Nesse período, os índios realizavam essa extração por meio de um trabalho esporádico recompensado pelos produtos trazidos pelos lusitanos na prática do escambo. Em contrapartida, o trabalho nas grandes propriedades exigia uma rotina de trabalho longa e disciplinada que ia contra os hábitos cotidianos de boa parte dos indígenas.
Além disso, as mortes causadas pelo trabalho forçado, as mortais epidemias contraídas no contato com o homem branco e ruptura com a economia de subsistência dos indígenas impedia a viabilidade desse tipo de escravidão. Ao mesmo tempo, devemos levar em conta que o controle sobre os índios escravizados era bem mais difícil tendo em vista o conhecimento que tinham do território, facilitando assim sua fuga. Dessa forma, a vigilância se tornava algo bastante complicado.
Como se não bastasse esses fatores de ordem cultural, biológica e social, a escravidão indígena também foi extensamente combatida pela Igreja no ambiente colonial. Representados pela Ordem Jesuíta, os clérigos que aportavam em terras brasileiras se envolveram em uma série de disputas em que repudiavam o interesse dos colonos em converter os índios em escravos. Tal postura se justificava no interesse que os clérigos católicos tinham em facilitar o processo de conversão religiosa dos índios.
Apesar de sua influência e autoridade, muitos padres foram explicitamente afrontados pela ganância de colonos que saiam pelo território em busca de índios. Na maioria das vezes, a escravidão indígena servia como alternativa à falta e o alto custo de uma peça trazida da África. Preferencialmente, os colonos atacavam as populações indígenas ligadas às missões jesuíticas, pois estes já se mostravam habituados à rotina e aos valores da cultura ocidental.
Mediante a forte pressão dos religiosos, Portugal proibiu a captura de índios por meio de uma Carta Régia emitida no ano de 1570. Segundo esse documento, os índios só poderiam ser presos e escravizados em situação de guerra justa. Ou seja, somente os índios que se voltassem contra os colonizadores estariam sujeitos à condição de escravos. Por meio dessa medida, os colonizadores conseguiram manter a escravidão indígena durante todo o período colonial.
A escravidão indígena foi oficialmente extinta no século XVIII, momento em que o marquês de Pombal estabeleceu um conjunto de transformações na administração colonial. Primeiramente, ordenou a expulsão dos jesuítas do Brasil mediante a ampla influência política e econômica que tinha dentro da colônia. Logo depois, em 1757, proibiu a escravidão indígena e transformou algumas aldeias em vilas submetidas ao poderio da Coroa.
Já com os negros, a escravidão pode ser definida como o sistema de trabalho no qual o indivíduo (o escravo) é propriedade de outro, podendo ser vendido, doado, emprestado, alugado, hipotecado, confiscado. Legalmente, o escravo não tem direitos: não pode possuir ou doar bens e nem iniciar processos judiciais, mas pode ser castigado e punido.
Não existem registros precisos dos primeiros escravos negros que chegaram ao Brasil. À tese mais aceita é a de que em 1538, Jorge Lopes Bixorda, arrendatário de pau-brasil, teria traficado para a Bahia os primeiros escravos africanos.
Eles eram capturados nas terras onde viviam na África e trazidos à força para a América, em grandes navios, em condições miseráveis e desumanas. Muitos morriam durante a viagem através do oceano Atlântico, vítimas de doenças, de maus tratos e da fome.
Os escravos que sobreviviam à travessia, ao chegar ao Brasil, eram logo separados do seu grupo linguístico e cultural africano e misturados com outros de tribos diversas para que não pudessem se comunicar.
Seu papel de agora em diante seria servir de mão-de-obra para seus senhores, fazendo tudo o que lhes ordenassem, sob pena de castigos violentos. Além de terem sido trazidos de sua terra natal, de não terem nenhum direito, os escravos tinham que conviver com a violência e a humilhação em seu dia-a-dia. A minoria branca, a classe dominante socialmente, justificava essa condição através de ideias religiosas e racistas que afirmavam a sua superioridade e os seus privilégios. As diferenças étnicas funcionavam como barreiras sociais.
O escravo tornou-se a mão-de-obra fundamental nas plantações de cana-de-açúcar, de tabaco e de algodão, nos engenhos, e mais tarde, nas vilas e cidades, nas minas e nas fazendas de gado.
Além de mão-de-obra, o escravo representava riqueza: era uma mercadoria, que, em caso de necessidade, podia ser vendida, alugada, doada e leiloada. O escravo era visto na sociedade colonial também como símbolo do poder e do prestígio dos senhores, cuja importância social era avalizada pelo número de escravos que possuíam.
A escravidão negra foi implantada durante o século XVII e se intensificou entre os anos de 1700 e 1822, sobretudo pelo grande crescimento do tráfico negreiro.
O comércio de escravos entre a África e o Brasil tornou-se um negócio muito lucrativo. O apogeu do afluxo de escravos negros pode ser situado entre 1701 e 1810, quando 1.891.400 africanos foram desembarcados nos portos coloniais.
Nem mesmo com a independência política do Brasil, em 1822, e com a adoção das ideias liberais pelas classes dominantes o tráfico de escravos e a escravidão foram abalados. Neste momento, os senhores só pensavam em se libertar do domínio português que os impedia de expandir livremente seus negócios. Ainda era interessante para eles preservar as estruturas sociais, políticas e econômicas vigentes.
Ainda foram necessárias algumas décadas para que fossem tomadas medidas para reverter à situação dos escravos. Aliás, este será o assunto do próximo item. Por ora, vale lembrar que não eram todos os escravos que se submetiam passivamente à condição que lhe foi imposta. As fugas, as resistências e as revoltas sempre estiveram presentes durante o longo período da escravidão. Existiram centenas de “quilombos” dos mais variados tipos, tamanhos e durações.
Os “quilombos” eram criados por escravos negros fugidos que procuraram reconstruir neles as tradicionais formas de associação política, social, cultural e de parentesco existentes na África.
O “quilombo” mais famoso pela sua duração e resistência, foi o de Palmares, estabelecido no interior do atual estado de Alagoas, na Serra da Barriga, sítio arqueológico tombado recentemente. Este “quilombo” se organizou em diferentes aldeias interligadas, sendo constituído por vários milhares de habitantes e possuindo forte organização político-militar.
Como era tratado o escravo
Antes de romper o sol, os negros eram despertados através das badaladas de um sino e formados em fila no terreiro para serem contados pelo feitor e seus ajudantes, que após a contagem rezavam uma oração que era repetida por todos os negros.
Após ingerirem um gole de cachaça e uma xícara de café como alimentação da manhã, os negros eram encaminhados pelo feitor para os penosos labores nas roças, e às oito horas da manhã o almoço era trazido por um dos camaradas do sitio em um grande balaio que continha a panela de feijão que era cozido com gordura e misturado com farinha de mandioca, o angu esparramado em largas folhas de bananeiras, abóbora moranga, couve rasgada e raramente um pedaço de carne de porco fresca ou salgada que era colocada no chão, onde os negros acocoravam-se para encher as suas cuias e iam comer em silêncio, após se saciarem os negros cortavam o fumo de rolo e preparavam sem pressa o seus cigarros feitos com palha de milho, e após o descanso de meia hora os negros continuavam a labuta até às duas horas quando vinha o jantar, e ao pôr do sol eram conduzidos de volta à fazenda onde todos eram passados em revista pelo feitor e recebiam um prato de canjica adoçada com rapadura como ceia e eram recolhidos a senzala.
E em suas jornadas diárias, os negros também sofriam os mais variados tipos de castigo (), nas cidades o principal castigo era os açoites que eram feitos publicamente nos pelourinhos que se constituíam em colunas de pedras erguidas em praças pública e que continha na parte superior algumas pontas recurvadas de ferro onde se prendiam os infelizes escravos.
E cujas condenação à pena dos açoites eram anunciados pelos rufos dos tambores para uma grande multidão que se reunia para assistir ao látego do carrasco abater-se sobre o corpo do negro escravo condenado para delírio da multidão excitada que aplaudia, enquanto o chicote abria estrias de sangue no dorso nu do negro escravo que ficava à execração pública.
E outro método de punição dado aos negros foi o castigo dos bolos que consistia em dar pancada com a palmatória nas palmas das mãos estendidas dos negros, e que provocavam violentas equimoses e ferimentos no epitélio delicado das mãos.
Em algumas fazendas e engenhos, as crueldades dos senhores de engenho e feitores atingiram a extremas e incríveis métodos de castigos ao empregarem no negro o anavalhamento do corpo seguido de salmoura, marcas de ferro em brasa, mutilações, estupros de negras escravas, castração, fraturas dos dentes a marteladas e uma longa e infinita teoria de sadismo requintado. No sul do Brasil, os senhores de engenhos costumavam mandar atar os punhos dos escravos e os penduravam em uma trava horizontal com a cabeça para baixo, e sobre os corpos inteiramente nus, eles untavam de mel ou salmoura para que os negros fossem picados por insetos.
E através de uma série de instrumentos de suplícios que desafiava a imaginação das consciências mais duras para a contenção do negro escravo que houvesse cometido qualquer falha, e no tronco que era um grande pedaço de madeira retangular aberta em duas metades com buracos maiores para a cabeça e menores para os pés e as mãos dos escravos, e para colocar-se o negro no tronco abriam-se as suas duas metades e se colocavam nos buracos o pescoço, os tornozelos ou os pulsos do escravo e se fechava as extremidades com um grande cadeado, o vira mundo era um instrumento de ferro de tamanho menor que o tronco, porém com o mesmo mecanismo e as mesmas finalidades de prender os pés e as mãos dos escravos, o cepo era um instrumento que consistia num grosso tronco de madeira que o escravo carregava à cabeça, preso por uma longa corrente a uma argola que trazia ao tornozelo.
O libanto era um instrumento que prendia o pescoço do escravo numa argola de ferro de onde saía uma haste longa. Que poderia terminar com um chocalho em sua extremidade e que servia para dar o sinal quando o negro quando o negro andava, ou com as pontas retorcidas com a finalidade de prender-se aos galhos das árvores para dificultar a fuga do negro pelas matas, as gargalheiras eram colocadas no pescoço dos escravos e dela partiam uma corrente que prendiam os membros do negro ao corpo ou serviam para atrelar os escravos uns aos outros quando transportados dos mercados de escravos para as fazendas, e através das algemas, machos e peias os negros eram presos pelas mãos aos tornozelos o que impedia do escravo de correr ou andar depressa, com isto dificultava a fuga dos negros, e para os que furtavam e comiam cana ou rapadura escondido era utilizado a máscara, que era feita de folhas de flandes e tomava todo o rosto e possuía alguns orifícios para a respiração do negro, com isto o escravo não podia comer nem beber sem a permissão do feitor, os anjinhos eram um instrumento de suplicio que se prendiam os dedos polegares da vítima em dois anéis que eram comprimidos gradualmente para se obter à força a confissão do escravo incriminado por uma falta grave.
Já no início do século XIX era possível verificar grandes transformações que pouco a pouco modificavam a situação da colônia e o mundo a sua volta.
Na Europa, a Revolução Industrial introduziu a máquina na produção e mudou as relações de trabalho. Formaram-se as grandes fábricas e os pequenos artesãos passaram a ser trabalhadores assalariados.
Na colônia, a vida urbana ganhou espaço com a criação de estaleiros e de manufaturas de tecidos. A imigração em massa de portugueses para o Brasil foi outro fator novo no cenário do Brasil colonial. Mesmo com todos esses avanços foi somente na metade do século que começaram a ser tomadas medidas efetivas para o fim do regime de escravidão.
Vamos conhecer os fatores que contribuíram para a abolição:
1831 Cumprindo acordos firmados com a Inglaterra, o governo brasileiro declarou tráfico ilegal no território nacional, mas o comércio continuou em grande escala.
1845 A lei Bill Aberdeen que dava a Marinha de Guerra Inglesa o direito de aprisionar tumbeiros (navios negreiros) em qualquer ponto do atlântico
1850 – promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que acabou definitivamente com o tráfico negreiro intercontinental. Com isso, caiu a oferta de escravos, já que eles não podiam mais ser trazidos da África para o Brasil.
1865 – Cresciam as pressões internacionais sobre o Brasil, que era a única nação americana a manter a escravidão.
1871 – Promulgação da Lei Rio Branco, mais conhecida como Lei do Ventre Livre, que estabeleceu a liberdade para os filhos de escravas nascidos depois desta data. Os senhores passaram a enfrentar o problema do progressivo envelhecimento da população escrava, que não poderia mais ser renovada.
1872 – O Recenseamento Geral do Império, primeiro censo demográfico do Brasil, mostrou que os escravos, que um dia foram maioria, agora constituíam apenas 15% do total da população brasileira. O Brasil contou uma população de 9.930.478 pessoas, sendo 1.510.806 escravos e 8.419.672 homens livres.
1880 – O declínio da escravidão se acentuou nos anos 80, quando aumentou o número de alforrias (documentos que concediam a liberdade aos negros), ao lado das fugas em massa e das revoltas dos escravos, desorganizando a produção nas fazendas.
1885 – Assinatura da Lei Saraiva-Cotegipe ou, popularmente, a Lei dos Sexagenários, pela Princesa Isabel, tornando livres os escravos com mais de 60 anos.
1885-1888 – o movimento abolicionista ganhou grande impulso nas áreas cafeeiras, nas quais se concentravam quase dois terços da população escrava do Império.
13 de maio de 1888 – assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel.
No Brasil, o regime de escravidão vigorou desde os primeiros anos logo após o descobrimento até o dia 13 de maio de 1888, quando a princesa regente Isabel assinou, utilizando uma caneta de ouro e pedras preciosas, oferecida pelos abolicionistas, a Lei 3.353, mais conhecida como Lei Áurea, libertando os escravos.
A escravidão é um capítulo da História do Brasil.
Embora ela tenha sido abolida há 115 anos, não pode ser apagada e suas consequências não podem ser ignoradas. A História nos permite conhecer o passado, compreender o presente e pode ajudar a planejar o futuro. Nós vamos contar um pouco dessa história para você. Vamos falar dos negros africanos trazidos para serem escravos no Brasil, quantos eram, como viviam, como era a sociedade da época. Mas, antes disso, confira o texto da Lei Áurea, que fez com que o dia 13 de maio entrasse para a História.
“Declara extinta a escravidão no Brasil.”. À princesa imperial regente em nome de Sua Majestade o imperador, o senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art.1o É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão do Brasil”
Art.2o “Revogam-se as disposições em contrário”.
Manda portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de sua majestade o imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dado no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º da Independência e do Império.
Carta de lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o decreto da Assembleia Geral, que houve por bem sancionar declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara.
“Para Vossa Alteza Imperial ver”.
A Princesa Isabel era conhecida como “Redentora dos escravos” acumulou outro título “como a primeira e única mulher a administrar o Brasil”, na luta pela libertação dos escravos, como seu pai, o imperador D. Pedro II, que era um grande entusiasmado pela questão escravagista. Foi condecorada pelo Papa Leão XIII que conferiu a princesa com a condecoração Rosa de Ouro. Com a Republica, a princesa Isabel exilou se na Europa onde faleceu em 1921.
Logo após assinar a lei Áurea, ao cumprimentar a Princesa Isabel, João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, único a votar contra o projeto de abolição, profetizou:
“A senhora acabou de redimir uma raça e perder o trono”!
Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel aboliu a escravidão no Brasil, colocando nas ruas milhares de negros que, de uma hora para outra, ficaram sem destino. Com isso agradou a abolicionistas, bateu de frente com escravocratas e para muitos historiadores começou a escrever o epílogo do reinado de seu pai, Pedro II, que cairia pouco mais de um ano mais tarde.
Até hoje aplaudida por muitos pelo fim e criticada por outros pelos meios utilizados e também pelos fins, a abolição da escravidão no País ainda é um assunto que encerra muitas discussões. Não houve, como nos Estados Unidos, uma guerra civil dividindo alas contrárias ao tema, não se disparou um tiro sequer para que os escravos ficassem livres ou continuassem presos a grilhões na senzala, mas também não houve uma discussão séria e definitiva sobre o caso. Claro, haviam os fóruns de debates, principalmente nas páginas dos jornais, nas quais brilhava a verve de José do Patrocínio. Mas muitos acreditam que a atitude de Isabel foi mais emocional do que prática. Afinal, não houve preparação suficiente para o fato, ricos senhores de terra que investiram muito em seus escravos ficaram, de uma hora para outra, sem eles e os governos pós-abolição não souberam utilizar o a toda princesa a favor de melhorias sociais.
Problemas da elite
Afinal, a escravidão dominou todos os aspectos da vida brasileira durante o século XIX. O final dessa instituição parecia ter aberto novas portas para uma sociedade mais justa e menos dividida. Mas a libertação dos escravos não podia deixar de ter consequências importantes e profundas para as finanças, tanto públicas quanto particulares. “Infelizmente, a irresponsabilidade financeira dos governos após a abolição transformou essa grande oportunidade para a reforma social em um desastre econômico.
Esses políticos provocaram inflação, afugentaram investidores nacionais e estrangeiros e arrebentaram a onda de otimismo que se seguiu à emancipação”, explica Schulz. “Em um sentido mais amplo, os ajustes necessários à introdução do trabalho livre resultaram numa crise que durou quase três décadas”, diz o historiador.
Segundo ele, a crise financeira da abolição começou gradativamente. Vários anos poderiam, de acordo com Schulz, servir para o começo desse estudo: 1871, quando a Lei do Ventre Livre determinou que nenhum escravo nasceria no Brasil, ou 1880, quando começou a campanha abolicionista. “Ou, ainda, 1884, quando o Banco do Brasil parou de conceder hipotecas garantidas por escravos”, diz o autor, que escolhe o ano de 1875 como o primeiro a detonar o processo de crise financeira, quando o Brasil sofreu sua última crise como país escravagista. Essa tal crise, explica Schulz, teve como causa externa o início da “grande depressão” mundial do século XIX, e como causa interna a suspensão do Banco Mauá, o que levou muitos brasileiros à bancarrota, criando um sério problema para as elites, que a abolição só veio agravar.
“A crise financeira da abolição pode ser dividida em três partes: um mal-estar pré-abolição, uma ‘bolha’ chamada Encilhamento e um período de tentativas frustradas de estabilização que sucederam ao colapso da bolha”, diz Schulz, elencando outros problemas que advieram à abolição. “O ministério que realizou a abolição entendeu que seria necessário tomar providências financeiras para satisfazer aos fazendeiros e acabou sendo um dos gabinetes mais atuantes do século. A magnitude da mudança, porém, aos olhos dos fazendeiros, merecia medidas ainda mais enérgicas. Os três governos, um monarquista e dois republicanos, que se seguiram ao gabinete abolicionista, triplicaram a moeda em circulação, estimularam a especulação na bolsa de valores e tentaram de todas as maneiras conseguir o apoio dos grandes fazendeiros”, conta o historiador. “Essas ações irresponsáveis criaram uma bolha especulativa chamada de Encilhamento. Embora o estouro dessa bolha tenha sido bastante dramático, a crise continuou por uma década após o Encilhamento.” Ou seja: o que poderia e deveria ser uma alavancada para o progresso do País a partir da extirpação de um mal – a escravidão – acabou se tornando um mal maior ainda, devido à incompetência dos administradores do governo brasileiro. Qualquer economista recém-formado sabe que multiplicar o número da moeda circulante, apoiar a especulação na bolsa e não conter os gastos resultam em uma palavra que mais se assemelha a um dragão voraz: inflação.

A crise econômica que se seguiu à abolição, então, é muito bem trabalhada por Schulz em seu estudo, mostrando desde o problema do sistema financeiro internacional e a crise com os cafeicultores até as tentativas de estabilização da economia e a crescente inflação. Para ilustrar todas suas ideias e explicações, o autor ainda elenca uma série de tabelas, apresentando os gastos governamentais, a capitalização da Bolsa do Rio e o serviço da dívida brasileira. Para quem tem curiosidade sobre o assunto e deseja se aprofundar nesse tema que até hoje gera polêmica, o trabalho de Schulz publicado pela Edusp é um belo instrumento de apoio ao estudo. Talvez, inclusive, explique muita coisa que aconteceu até um passado muito recente e que está, de uma forma ou outra, apenas adormecida.